Chiado Editora | Tia Guida


Quando se fala de cancro, acho que a primeira coisa que sentimos é pânico. Medo que aconteça a alguém que nos é próximo. Quando decidi ler este livro, confesso que o que me motivou foi, realmente, o fato de ter apanhado um grande susto com uma pessoa muito importante da minha família. Após ler uma breve síntese da obra, foi fácil perceber que se tratava de uma história verídica, escrita por um parente, de uma mulher que passou por uma fase muito dura. Por isso mesmo, resolvi explorar um pouco mais aquilo pelo que as pessoas de verdade passam e não apenas ver meia dúzia de notícias que lemos na internet ou assistimos na televisão. A tia Guida é a segunda mãe do autor, do André Fernandes. E, infelizmente, não se livrou da "doença da moda". Esta composição ensinou-me muitas coisas. Agora ou mais tarde, não deixem de a ler. Aconselho, façam-no. Por exemplo, eu não sabia que o metal causava uma estranha reação de choque a estes pacientes. Vocês sabiam? A sério, é um ensinamento, da primeira à última página. "Temos de ser fortes." Acredito que deve ser uma das frases mais ditas nestes casos. Mas o A.F. diz, e eu concordo, "Mas temos mesmo?" Ele afirma que não temos mas que conseguimos. Também pude ficar a saber que existem pessoas capazes de, conhecendo o desespero das incertezas quanto a um diagnóstico desta natureza, avisar que determinadas análises estavam prontas a cinco minutos do laboratório fechar. Se fosse comigo, ia lá e partia aquilo tudo. Não se faz, é cruel. Outra das coisas que já sabia, mas o A.F. confirmou, é que começamos a reparar mais nas atitudes mesquinhas e a não tomar nada como garantido. "Cada segundo que passa é um segundo que não volta." E, agora, coloco-vos uma questão fulcral, se um médico nos dissesse que acabou, que o tumor de uma das pessoas que mais amamos é inoperável, como será que reagiríamos? Como lidaríamos com a despedida? O autor expressa o medo egoísta de perder e que o mais importante é estar sempre presente. E ele esteve. Era como se, cada momento, fosse o último. "Enquanto há vida, há esperança." Depois de pensar muito, calculo que ver o impacto físico deve ser uma das coisas mais chocantes e o A.F. menciona que ficou assustado e a sofrer mas só transmitiu boa energia porque era o que a tia precisava. Devemos viver a vida o mais normalmente possível. "Porque doença alimenta doença e vida alimenta vida." Outra das coisas que sentiu necessidade de exprimir foi relativamente à forma como a comunicação social lida com o tema. E tem razão, tudo gira à volta da exploração emocional e da transformação em sucessos de vendas. Lamentavelmente. O A.F. especifica que se aprende a não ter longos prazos. Só existe o agora. "Uma vida sem tempo pode servir de muito, mas um tempo sem vida de nada serve." Ela nunca desistiu. "O importante é ter saúde, o resto arranja-se." O médico chegou a dizer-lhe que este tipo de casos não passava do primeiro aniversário da doença. Desumano. Ela foi hospitalizada. Mas o amor foi a chave. O que a agarrou a este mundo e a fez superar foi o amor que ela tinha por si mesma, pelos outros e pela vida. O tumor sofreu uma redução significativa. "A ciência já não sabia fazer previsões." Falharam, graças a Deus. Por fim, deduz que há cancros que não matam, mas moem. E que há aqueles que moem e matam. São lutas que se travam sem conhecer o seu fim. E que aprendemos que o fim importa pouco; é o percurso que nos torna mais conscientes do valor da vida. Cada uma das palavras é sobre o seu testemunho, aquilo que experienciou enquanto ente querido de quem enfrentou a doença. E conseguiu transformar estas letras num guia poderoso.

Comentários

  1. Infelizmente, é uma doença que me é próxima, porque já perdi familiares por causa dela. No entanto, ainda há muita coisa que desconheço sobre a mesma.
    Tenho imensa vontade de ler este livro!

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  2. Aí está um livro qie não quero ler. Passei por esse sofrimento três vezes, e ainda hoje me doi recordá-lo. Primeiro com um tio, apenas 9 anos mais velho, que eu . Foi criado na minha casa, meu pai fora buscá-lo ainda menino, quando minha avó adoeceu, para omar conta de mim e do bebé que estava para nascer, minha irmã. Acabou cuidando de nós duas e do meu irmão que nasceria mais tarde. Foi uma luta inglória. O cancro venceu. Depois foi meu marido, meu amigo e companheiro de toda a vida. Graças a Deus, meu marido venceu, mas neste tipo de doença, nunca se sabe por quanto tempo. O coração anda sempre em sobressalto. Por fim, em 2016 o meu cunhado a quem o cancro não deu qualquer chance. O tumor foi detetado a meio de Setembro, morreu no dia 18 de Outubro.
    Um abraço

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  3. Estou com a Elvira Carvalho. na minha família esse mal terrível afectou muita gente (minha mãe incluída) e vitimou alguns (demasiados diria eu).
    Bfds

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  4. Na família, faleceu uma tia no Brasil, sem qualquer chance.
    A minha mãe teve um "princípio de tumor" no útero, ou seja, foi detectado quando ainda estava a formar-se e ainda não era cancro.
    Recentemente, a minha tia apanhou um susto, mas foi só isso.
    Contudo, tenho outras pessoas próximas que perderam alguém por isso mesmo, pelo cancro e por batalhas que nem valia a pena travar, devido o avanço. O marido da melhor amiga da minha tia esta a lutar contra isso. São coisas devastadoras...

    Não sei se quero ler esse livro... mas estou a reler um chamado "Uma Vida Depois Da Morte", escrito por uma jornalista britânica (?), que descobriu que a sua irmã esquizofrénica faleceu, de um tumor. É terrível. Simplesmente terrível!

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  5. Essa doença está na minha casa e nem quero mais pensar nela...Tão triste viver isso, acompanhar a esperança e de repente novo aparece...bjs praianos,chica

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  6. Tenho um pavor enorme por esta doença! Tanto que recentemente essa realidade não me saia da cabeça por causa do meu menino que ainda está com uns problemas! Felizmente uma colonocospia despitou a existência de pólipos! Contudo foi um susto enorme.
    Tenho muito medo...
    Mas leria o livro, pelo exemplo, pela mensagem, pela abordagem que dizes, o autor dar!
    Beijinho.

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  7. Um livro que parece tão interessante como assustador (para mim). Tenho uma irmã que descobriu o cancro na mama ainda no seu inicio - teve a sorte de ser consultada de imediato - por se encontrar a fazer hemodiálise e no prazo de um mês, tomou a atitude mais acertada. Removeu a mama, cortando o mal pela raiz por agora. Tem uma força de vontade de viver que muito admiro.

    Acredito que se vá buscar forças ao universo para conseguir enfrentar estes males... Adorei o texto. Obrigada.


    Beijos e um bom fim de semana.

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  8. Apesar de ser acerca de um tema sobre o qual devemos saber o mais possível, confesso que não me entusiasma a sua leitura.
    Bom fim de semana, amiga Diana.
    Beijo.

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  9. A minha mãe já passou por um e felizmente conseguiu vencer essa besta... mas é como dizes... pode até não matar mas moem... é um medo para a vida toda...

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  10. Este tema é-me demasiado próximo, na pessoa da minha mãe, também...
    Não sei se tenho coragem para ler este relato...

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  11. Muito obrigado por este gesto de partilha e reflexão sobre um livro que me é tão íntimo e que, ao mesmo tempo, é de todos nós, que directa ou indirectamente conhecemos as emoções que o cancro ou qualquer doença limite nos faz sentir. A minha tia, mais do que um testemunho de desfecho, é um testemunho de continuidade de Amor e é em palavras como as tuas que ela vive para sempre. Fico genuinamente grato por teres captado tão bem essa mensagem de continuidade que qualquer uma das nossas vidas pode ter, para lá do seu desfecho, assim amemos e sejamos amados, na reciprocidade que só um Amor saudável e sincero permite viver. Um Amor como o da Tia Guida! Um abraço grande a todos, um especial para ti.

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  12. Um tema que sempre nos deixa apreensiva mas em leitura provavelmente é interessante!bj

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  13. Essa doença tocou-me de muito perto e roubou-me alguém insubstituível. Não quero aflorar essa realidade.

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  14. Fiquei com muita vontade de ler esse livro mas, ao mesmo tempo, com algum receio... Beijinhos*

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  15. Um livro que parece interessante, infelizmente já perdi mais do que uma pessoa da família para essa doença. :(
    --
    O diário da Inês | Facebook | Instagram

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  16. Todos temos presentes este sentimento perto de nós... -.-

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  17. Fiquei muito curiosa e cheia de vontade de ler! Já perdi algumas pessoas queridas por causa desse monstro. Mas também posso dizer que tenho amigos que já a venceram! E é uma alegria enorme, saber que foi possível para eles <3 R.: Lamento imenso, Diana! É realmente algo muito difícil!
    Obrigada pelo teu comentário! Tudo de bom :)

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  18. Acho que todos devíamos ler o livro. Adorei o texto.:))


    -
    Do Gil António, que se encontra doente, motivo porque não vos visito. Pedimos a compreensão: Hoje:- Luz no teu quarto ...Tentação do meu olhar
    .
    Bjos
    Resto de uma boa noite

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  19. Bem, apesar do assunto, despertou-me mesmo a atenção!
    Infelizmente já lidei com pessoas com essa doença. Já perdi pessoas por causa dela...

    Beijocas

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  20. Já passei os olhos tantas vezes por esse livro, tenho muita curiosidade em lê-lo, parece-me um bom livro.

    MRS. MARGOT

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  21. É daqueles temas que arrepiam só de ouvir.
    Depois chocam-me os anormais chamados de "humoristas negros" que gozam com essa doença. Pior é haver pessoas que pagam para os ir ver.

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  22. Parece um livro interessante!

    Beijos!

    https://ludantasmusica.blogspot.com.br

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  23. já ouvi falar deste livro. para mim, o cancro é uma coisa incrivelmente assustadora, iria ser pesado ler algo assim mas deixa-me curiosa a história, parece ser muito bonita...
    beijinhos https://ratsonthemoon.blogspot.pt/

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  24. Parece-me ser uma daqueles livros que toda a gente deveria ler! Obrigada pela partilha!
    beijinhos
    https://direitoporlinhastortas-id.blogspot.com/

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  25. Um tema, que me diz muito, já que esta doença, levou o meu pai, e uma grande amiga minha...
    Apesar do meu tempo dedicado à leitura, neste momento ser mais reduzido, vou apontar o nome do livro, para ver se o descubro, um dia destes...
    Beijinho! Bom domingo e uma óptima semana!...
    Ana

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  26. É um livro que assusta por causa da doença essa doença infelizmente vem assustando muito, na minha família o meu tio teve, é muito angustiante. Mas apesar dela está aí temos que nos apegar em Deus, bjs.
    http://www.lucimarmoreira.com/

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  27. Essa doença levou a minha avó paterna. Vou colocar este livro na minha lista de leitura. Obrigada pela dica.
    Beijinho*

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  28. Pessoalmente, este livro interessa-me bastante. Vou acabar por o ler mais cedo ou mais tarde, tenho ouvido muitos elogios à escrita do André!

    http://ummarderecordacoes.blogs.sapo.pt

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  29. não conheço o livro mas fiquei curiosa com o enredo, já tive alguns casos na familia
    https://retromaggie.blogspot.pt

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  30. Bela análise e sinopse, Diana; conheço o assunto de perto, infelizmente, pois acompanhei (e ainda acompanho) essa doença, em alguém muito próximo. Como você disse, é preciso ter esperança... e viver cada momento como se pudesse ser o último. Boa semana, fique bem!

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  31. Querida Dianamiga

    Este livro e o teu comentário fizeram-me chegar as lágrimas aos olhos. Em baixo saberás o por quê de tal sofrimento. Li sofregamente o livro, pelo mesmo motivo e não encontro palavras para dizer mais, a não ser muito obrigado minha querida Diana

    Qjs do Henrique, o Leãozão

    ___________

    Porque tu mereces quero explicar-te o motivo desta minha grande ausência: ao cabo de uma longa desgraçada malditas doenças que penso que as já conheces mas resumo, um cancro na próstata do meu irmão Braz que vem-se arrastando dolorosamente desde há um ano e meio; a doença pulmões-fígado da minha cunhada Lena que vive nos Açores e vem decorrendo há onze meses e outras, coube-me agora a mim. Fui internado no Hospital de Santa Maria com uma pneumonia agravada por vírus ou bactéria que andam por aí. Estive lá onze dias até me darem alta. Sublinho que fui tratado nas palminhas por médicas e médicos, enfermeiras e enfermeiros e auxiliares, com profissionalismo, simpatia e até carinho. Se alguém me disser mal do SNS vou-lhe às trombas!

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