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Esta noite, senti uma vontade devastadora de pegar numa folha de papel e construir um barco. Um daqueles, simples, de papel colorido. Imaginei-o a flutuar numa lagoa encantada. Um pequeno raio de luz que vinha da lua, que percorria tanto e tanto caminho, iluminava-o. No seu rasto, milhões de bichinhos alfaiate caminhavam, solenemente, sobre a água. Seguiam aquele brilho tão intenso mas que, ao mesmo tempo, teimava em fugir. Nunca hesitou. O silêncio foi quebrado, as margens vigorosas emergiram, uma cascata surgiu, cores doiradas impuseram-se e o sol, no horizonte, beijou o mar. Na realidade, aquela espécie de lago era muito mais do que um pequeno espaço limitado. A embarcação de papel navegou tão certo, tão seguro, e esteve sempre naquele oceano enorme e mesmo assim seguiu em frente, sem medo, daquela imensidão.
Ela é fúria, rispidez, genuína intensidade; mas o coração dela mantém-se leve.

Chá Para Dois | A Tal Rapariga

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Com o intuito de dar a conhecer os seres humanos fantásticos que estão por trás dos blogues que me seguem, achei que seria uma ideia engraçada criar a rubrica Chá Para Dois. O meu amor por infusões tinha de estar presente, claro. Sendo assim, decidi valorizar as pessoas que, realmente, merecem. Elaborei um pequeno conjunto de perguntas que demonstram o interior e a singularidade de cada um. Por isso, não se assustem se vos convidar para participar neste projecto. Pois bem, a primeira entrevista é com a Andreia Moreira Oliveira, autora do blogue A Tal Rapariga. Uma jovem de 29 anos, mulher, casada, mamã do Afonso e instrutora de fitness. Ainda não a conhecem? Então, aqui vai. E não se esqueçam de seguir o blogue dela. Vão adorar, garanto-vos.

D: Para ti, chá de... A: Frutos Vermelhos.
D: Qual é o teu blogue? A: A Tal Rapariga. Significa uma forma de representar todas as mulheres que sentem o mesmo que eu mas que não conseguem ou podem expressar. "A Tal Rapariga" podes ser tu tam…
Por momentos, aqueles anos em que riscava o chão, com traços grosseiros de giz, sete quadrados, um tanto ou quanto desproporcionais uns aos outros, irrompem a minha mente. Em dias de chuva, é como se inevitável fosse. Imagino o solo do pátio da escola primária, todo lamacento, onde fazíamos uma covinha e jogávamos ao berlinde. Quando chega a altura do S. Martinho, lembro-me que saltava a fogueira e queimava as roupas. Recordo-me de comer as castanhas, de beber o sumo. Era doida por aqueles frutos especiais, acabados de sair do lume. Levava sempre um cartucho de papel para casa. Com a chegada do Verão, do calor, recordo como, para nós, era tão tentador subir aos locais mais perigosos, sem nunca concluir que podíamos cair dali. Passávamos o recreio todo a brincar às escondidas e à apanhada. Não consigo esquecer o quão frágil era. A única funcionária da escola, a dona Palmira, tinha de me sentar no colo dela e obrigar-me a comer o pão com Tulicreme, que a minha mãe me mandava, porque a v…

Emily & Thomas II

Emily foi com Anna, a sua tia adorada, às compras. Já estava cansada de tanto caminhar pelos corredores cheios de produtos e pessoas atrapalhadas. Mas, ainda faltavam mais umas coisas. Farta. Odiava aquilo. Tanto tempo. Deram mais uma volta. E outra. A impaciência aumentava. Chega, finalmente, o momento de pagar. A rapariga não podia acreditar no que os seus olhos viam...

Emily & Thomas

Emily era uma jovem tímida que estudava na mesma escola de Thomas. O rapaz tinha decidido frequentar aquele estabelecimento de ensino, apenas naquele ano, e era novidade para a adolescente. Mas, namorava e nem imaginava que a garota existia. Ela percorria os corredores com os olhos, todos os intervalos de uma aula para a outra, sempre atenta à possível presença dele. Um sentimento estranho, uma sensação incomum. A rapariga não o conhecia, só explorava a sua imagem altiva. O ano lectivo passou. Aquele percurso terminou para ambos. Decidiu esquecê-lo. Não havia nada a fazer. O tempo passou. Seis anos.
Sento-me naquele rochedo, ladeado de maravilhosas flores. A lua vestiu-se de um manto prata. No céu, pequenos pontos acompanham. Por vezes, escondem-se. Para onde vão? O luar é despido. O que vejo? A bela imagem que invento, que sinto formar-se na minha mente. Ela dança por entre mil cores. O véu mantém-se por perto, misterioso. A luz intensifica-se. Está feliz.